Somos feitos de números.
Logo ao nascer somos peso, medida e batimentos cardíacos. Os dias vão passando e somos semanas, meses, anos.
Durante a infância: ano escolar, erros na cópia, notas, actividades extracurriculares, dentes perdidos e ganhos... Tudo isto em número...
Chega a adolescência passamos a ser: pelos em zonas onde não existiam, borbulhas, disciplinas, trabalhos, testes.. notas..., amigos, beijos, curtes...
E as perguntas surgem: quantos? quando?... E as respostas são... números...
Com a maioridade, a vida universitária: notas, trabalhos, idade, matriculas, sessões de praxe, conhecidos, amigos, namorados, noites loucas, sexo, concertos, taxas de alcoolemia, DST's, aniversários, festas,euros -> cêntimos, ... e as respostas em números...
A adultês e o mundo do trabalho leva-nos a contar estágios, meses de emprego, salários, meses de namoro, filhos, anos de casamento, casas, carros, viagens, impostos, assaltos, mortos, acidentes, ganhos, gastos, resultados, jogos ...
Mas no final, tudo isto não passam de números, escalas, termos de comparação e de evidenciação. Qual a diferença entre comprar a camisola a 9,99€ e a de 10,01€. Serão estes números assim tão importantes?
E agora pergunto: numa altura que o mundo se diz mais igualitário do que nunca porque é que esta é a sociedade é a mais fria, distante e ausente de sentimentos para como os outros que alguma vez se viu? Porque é que observamos comportamentos anteriormente (felizmente) exclusivos de uma pequena percentagem da população, propagar-se pandémicamente a todas as classes sociais? Porque deixamos milhares de seres morrer devido as nossas acções quando sabemos como evitar estas mortes?
Afinal qual é o nosso problema que não conseguimos ver para além do nosso próprio nariz, do que somos ou gostaríamos de ser?
Perdemos tempo, desorientados com os nossos números, quando mesmo ao nosso lado morrem pessoas com fome, dores intermináveis e buracos nos seus peitos causados pelos sentimentos que não podem expressar devida a sociedade opressiva em que vivem.
Looking for the real human kind.