11.8.09

Tempo.



O tempo custa a passar.

Acordada a pouco mais de duas horas sinto (ou pressinto) que algo não está bem. A dor que me estrangula o peito é forte, tão forte que eu não sei se a dor é do estrangulamento ou do rasgo que há muito sei que nele existe.

Sinto-me só. Sozinha no meio da multidão. Olho à minha volta, reconheço os rostos que me cercam, mas o olhar deles transporta um misto de repulsa e pena na minha direcção.
Reconheço os rostos e sei porque os reconheço, recordo datas, acontecimentos. No entanto, nenhum deles parece reconhecer-me.

O tempo custa a passar.

Caminho em direcção ao incerto, mas a chegada tarda. Até que decido parar, olhar a minha volta: a multidão desapareceu. Cansou-se de observar uma simples desconhecida a caminhar em circulos.



Contínuo à espera do que sei que nunca vai acontecer.